18 de set. de 2012

Depois sempre acaba

No fim tem o final e depois acaba. A gente acha que vai virar rock star, budista e pintar o cabelo de rosa, mas no final a gente só encontra mesmo o fim das coisas. Até pensei em entrar pra lista dos desesperados, ir pro programa do Rodrigo Faro e encontrar um novo amor, só que tive preguiça. Aí comprei minhas passagens de volta, quem sabe se a gente não voltar dez anos no tempo e ainda dê tempo. No fim pode até ter o final e depois acabar, mas esse final de semana eu pinto meu cabelo de rosa só pra imaginar o que você me diria.

15 de set. de 2012

As vezes é assim

De pouquinho em pouquinho, o que sobrou foi o avesso da saudade e um cheiro amargo de poesia velha. Talvez até alguns fios de cabelo no travesseiro, mas domingo é dia de faxina... Quem sabe agora eu pare de gostar do outono ou de andar sobre as folhas secas achando que sou maestro. Não deu pra escrever livro, pra pintar quadro e nem pra fugir pra Angola, é simples que não deu. E as vezes não dá mesmo.

23 de abr. de 2012

Se não fosse pelo vento

E aí que me peguei te amando mais uma vez. Assim, sem mais nem por quê, no meu caminho de volta, enquanto via as folhas no caminho se misturarem com tantos rostos desconhecidos. E dessa vez nem ousei te procurar em nenhum deles. Também não senti seu cheiro e tão pouco ouvi sua voz. Mas te amei. Te amei por essa coisa assimétrica da sua barba que um dia cheguei acreditar que tinha sido desenhada a mão livre. E seus olhos que não tem cor e nem medo de nada. Quando te amei pela primeira vez, eu soube que era por medo desses olhos que se empunhavam como espadas diante de mim. E te amei também naqueles pequenos pontinhos rosados da sua pele, que durante a noite formam uma constelação inteira em um céu tão branco, como eu nunca tinha visto antes. E continuei meu caminho assim, te amando em segredo pra que ninguém roubasse isso de mim, escondi de todos aqueles outros rostos a minha alegria, e guardei tua imagem no meio desse fim de tarde, meio que correndo, mas só porque ventava muito no meu caminho.

16 de abr. de 2012

Água morna



Era praticamente água morna com açúcar, mas eu chamei de chá. Também troquei a marca dos meus cigarros, uns sem nicotina; e por um instante quis não pensar em ti.
Só por um instante. Mas o céu era o reflexo dos teus olhos, alguma coisa de castanho com esse verde escuro que nas noite de primavera são como um oceano em meio à tormenta.
São tantas vozes que não consigo distinguir, mas teus olhos estavam lá, soube disso quando procurei em vão qualquer estrela, qualquer sinal de uma manhã ensolarada ou de um domingo com cheiro de frutas vermelhas.
De tanto que quis não pensar, acabei por não te esquecer. Doeu um pouquinho, mas juro que foi só um pouquinho. A brisa gelada procurando minha pele e a fumaça do cigarro colorindo a sacada me tiraram daqui, e nesse instante, nesse mesmo instante que quis não pensar mais ti, eu já era tua.
Era só água morna com açúcar, mas eu chamei de chá, ou de amor, no fim é a mesma coisa.